03/02/2016 às 11h05min - Atualizada em 03/02/2016 às 11h05min

O assalto

Cidade pequena, pacata e aconchegante: é assim que você responde pra quem pergunta de onde você é, muitas vezes causa orgulho dizer que sua cidade é tranqüila. E de repente você se depara com um assalto no “Banco Central”, aquele friozinho na barriga normal de cidade grande, como se mal acessasse no seu pequeno portal de paz.

 "Entre mortos e feridos, salvaram-se todos'' Frase dita por Winston Churchill (no inicio da segunda Guerra Mundial).  Ufa, tudo acabou bem, a vida continua!! Como os inúmeros assaltos que acontecem em São Paulo, uma vez que só são veiculadas as tragédias. Sim, eu já tive uma arma apontada pra minha cabeça, sou estatística na cidade grande nos inúmeros assaltos que acontecem e acaba bem, mais uma vez, graças a Deus. O ser humano é um, se não for o ser mais adaptável do universo, criamos formas de adaptar-se até mesmo na dor. O que extrair dessa experiência estressante? Me levou para a crônica de Luiz Fernando Veríssimo que relata um assalto, em clima de tensão, clima de indecisão e humor, um suposto assalto, onde provoca uma  baita reflexão sobre as causas da banalização da violência e das injustiças sociais entre nós. Os bandidos de rua (a maioria) são um dos sintomas da crise social, surgidos por causa da pobreza e falta de educação, falta de oportunidade, que levam nesse ciclo, incapazes de progredir, o que eles tem a perder?!  A verdade, gostem ou não, é que o desgoverno, das cidades até Brasília, é o maior responsável por toda a desgraça que acontece pelas mãos dos bandidos.

O crime organizado manda no país, e o maior de todos os grupos é o que está no poder, seja na maioria das prefeituras, câmaras, assembléias legislativas, sindicatos, governos estaduais ao alto escalão em DF.

O pior inimigo é aquele que te abraça, esse te apunhala pelas costas, aquele que não te machuca à luz do dia ou aponta uma arma para sua cabeça, é o que usa o fruto do seu trabalho para enriquecer, aquele que te escraviza, sorri pra você, compra sua confiança por miseras migalhas a cada quatro anos.

Uma coisa é certa: quem apóia o desgoverno criminoso ou é ignorante ou tem as mesmas intenções malígnas e criminosas, e tudo o que acontece de ruim no país, também deve ir para sua conta. “E todos sabem, todos pagarão,” na boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente; porque com a medida com que tiver medido vos medirão também." cedo ou tarde, terão seus débitos pelo mal que fazem ou deixam acontecer. 

Kelli Dias

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