16/02/2016 às 12h31min - Atualizada em 16/02/2016 às 12h31min

O Brasil zicou?

Allan Zampoli

Ouve-se muito sobre a tal zika. Pouco se sabe sobre ela. Uma breve introdução:

“Transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o vírus da zika foi isolado pela primeira vez em 1947 na República de Uganda (África), mais aproximadamente nas Florestas de Zyka – de onde origina seu nome. Fora da África, o primeiro surto de zica ocorreu em 2007, na ilha de Yap na Oceania. Já na América, a primeira epidemia ocorreu em 2015, por revés do destino, no Brasil”.

Aí vem a pergunta: Por que fomos o primeiro país do continente americano a receber esse desagradável visitante? É culpa da crise?

Até onde se sabe, não é culpa da crise. Acredita-se que o fluxo intenso de imigrantes causado pela Copa do Mundo tenha trazido a zica. Porém, como o vírus é transmitido pelo Aedes (e esse mosquitinho adora o clima tropical do nosso país), o número de casos da doença se espalhou de forma surpreendente por todo território brasileiro. Para ter uma noção, no começo de novembro de 2015 estava presente em 14 estados brasileiros. No final, em 18. Em janeiro de 2016, em 24.

E não para por aí. Países como Bolívia, Paraguai, Colômbia, Equador, Venezuela, México e mais um bom tanto estão todos registrando novos casos de Zica. Estimativas da Organização Pan-Americana da Saúde dizem que, em 2016, entre 3 e 4 milhões de pessoas devem contrair o vírus no continente americano. E metade desses casos serão no Brasil. Só por curiosidade, até o momento em que eu escrevia essa coluna [16/02/16], a Rússia registrou seu primeiro caso de infecção pelo vírus da zika (sim, chegou até na RÚSSIA!).

A fácil adaptação do vírus da zika lhe permite uma rápida disseminação. Disseminação esta maior até que a da dengue. Foi encontrado o vírus na urina, na saliva e na placenta de indivíduos infectados. A fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está aprofundando as pesquisas na área para descobrir se o vírus consegue se transmitir através dos fluidos corporais, dispensando o Aedes como vetor.  Aí meu amigo, o negócio fica feio para o nosso lado...

A humanidade está correndo risco de extinção?

Não estamos em um The Walking Dead. Então, não. Mas todo cuidado é pouco. A zica apresenta sintomas mais brandos em comparação com a Dengue e a Chikungunya. Os indivíduos podem estar infectados e não apresentar nenhum tipo de sintoma. Entretanto, após as primeiras 24 horas, ocorre o rash cutâneo e o prurido.

 

      O rash cutâneo, ou também chamado de exantema, são manchas vermelhas na pele que provocam muita coceira, características da zica. Junto com esses sintomas, a “bagagem zicada” também inclui olhos vermelhos, dor muscular, dor de cabeça e nas costas. Enquanto na dengue e na chikungunya a febre é alta e as dores nas articulações (artralgia) são fortes, na zica a febre é baixa e a artralgia leve.

 

 

Alinha, e a microcefalia?

Gestantes, prestem atenção! De acordo com o Ministério da Saúde, de 3.670 casos suspeitos de microcefalia, 404 foram confirmados e 17 destes estão relacionados à doença da zica. Porém, não há um estudo concreto, ainda, que prove que os casos de microcefalia no nosso país são por causa do vírus. Na Colômbia, por exemplo, 5 mil mulheres grávidas foram infectadas. Porém, em nenhuma foi registrado caso de microcefalia. Mããs, vamos tomar cuidado mesmo assim futuras mamães.

O que se cogita é a relação da microcefalia com o larvicida Pyriproxyfen. Esse larvicida é inserido na água para consumo humano com objetivo de deter o desenvolvimento da larva do mosquito Aedes nos domicílios. Em 2014, o larvicida começou a ser utilizado em regiões com pouco saneamento básico, onde há necessidade de armazenamento de água. Coincidentemente, essas regiões apresentaram casos de microcefalia.

Não obstante, como tudo na vida tem dois lados, não há algum estudo que comprove a relação direta do pyriproxyfen com a microcefalia, visto que áreas sem a distribuição do larvicida também apresentaram a má-formação.

Cuidados necessários

Apesar de haver apenas um sorotipo de vírus da zika no Brasil, ainda não foi desenvolvida uma vacina. Então, até lá, o foco é na prevenção. E a prevenção consiste em combater o mosquito vetor, o odiado Aedes aegypti, não deixando água parada, limpando a caixa d’água a cada 6 meses, uso de repelentes e mosquiteiras...

Pra complementar. Acredito que meu querido leitor percebeu que até o exército está se empenhando em eliminar os focos do mosquito da dengue nos domicílios, não? Pois é. Como iremos abrigar as Olimpíadas esse ano, a pressão internacional no governo brasileiro para controlar [quiçá diminuir] a epidemia de zica tem sido enorme. Mês passado, o governo dos EUA colocou o Brasil na lista de países a serem evitados por grávidas ou mulheres em idade reprodutiva por causa da zica. Ao que tudo dá para entender:

Estamos zicados.

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Comentários »
  • joao santos escreveu
    18/02/2016 às 15h10min

    Péssimo colunista!

  • 17/02/2016 às 08h31min

    Parabéns, conteúdo extremamente importante. Vale lembrar que a desgraça desencadeada (via Zica) tem tirado o foco de muitas Zicas que se instalou em nosso país nos últimos anos e tem oprimido e matado mais do que qualquer epidemia...

  • 16/02/2016 às 19h54min

    Sim estamos zicado. Mas, por que será? Seria só questão da sobrevivência do aedes?Ou seria por que nosso país é tropical? Ah não, somos a Republicas das bananas onde todo (quase) político é mal intencionado ou corrupto, ou todo corrupto é político. Somos um dos maiores pagadores de impostos do mundo e os políticos mais bem pagos e apadrinhados do Universo (,e lembrei da Dilma) e recebemos as piores verbas de educação, saúde, segurança e infra-estrutura do Universo (lembrei de novo). Zicados?

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