21/04/2016 às 16h03min - Atualizada em 21/04/2016 às 16h03min

Liberdade

No dia 21 de abril de 1972, Tiradentes morreu por se rebelar contra a ganância arrecadadora da Coroa. Mais de dois séculos depois (exatamente 224 anos), o arrocho fiscal se perpetua.

Naquela época a Coroa cobrava o Quinto, tributo de 20% sobre o ouro encontrado na Colônia. Hoje as pessoas trabalham 151 dias por ano para entregar aos governos Federal, estadual e municipal, arcando com uma carga tributária que equivale a 35,42% do PIB.

A cabeça de Tiradentes pende ainda no alto do mastro, que grita no meio da Praça, mirando cada um de nós. E é aqui e é agora que se vai processar, simbolicamente, aquilo que a feliz expressão do poeta "Santiago Naud " Há um momento esperado que Tiradentes vai recuperar sua cabeça e o Brasil vai encontrar seu destino.

 Alguns parágrafos da "Carta de São João d'el Rei"

Sob olhar severo e sereno de Tiradentes, que nos espia através das figuras de pedra e sonho do Aleijadinho, cercados pelo espirito de Vila Rica e pelo ferro de chão de Minas, queremos pensar o Brasil.

Como escravos acorrentados ao tronco do tempo, duzentos anos caminharam em silêncio, arrastando pelas estradas do Brasil o pesadelo de uma frustraçâo: a Independencia.

"Tal dia é o batizado", avisou Alferes civil da Liberdade. Não se celebrou o batizado, mas a senha célebre ficou.

E eis que retomamos o sonho!

E daqui, deste recanto de Minas, esculpido no espírito e enevoado de ferro, lançamos agora a nova senha: "Tal dia é o casamento".

O Brasil que ficou pagão de liberdade, pela amargura de um batizado que não houve, quer realizar agora o casamento essencial do Estado com a Nação, do Povo como a Independência, do futuro com a Soberania.

Abriremos nosso caminho à força de nossos anseios, porque o futuro é a nossa bússula, o progresso é nosso barco e a liberdade é o nosso porto.

Ontem: Colônia

Hoje: satélite

Amanhã: Brasil

São João  d"el Rei, 21 de Abril de 1986.

 

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