21/01/2016 às 18h13min - Atualizada em 20/01/2016 às 18h13min

Fim da tensão: prisão dos assaltantes do Itaú tranquiliza população

Operação conjunta das polícias civil e militar desbaratou a quadrilha

Polícia Civil do Paraná

A população de Curiúva estava tensa, desde a última segunda-feira (20), quando se deu o assalto ao Banco Itaú. Não foi a primeira vez que um banco foi assaltado na cidade, mas nenhuma outra ocorrência causou tanto pânico, seja pelo uso de reféns ou pela longa perseguição à quadrilha. O paradeiro incerto dos bandidos, embrenhados no imenso labirinto verde dos reflorestamentos da região, fez com que qualquer barulho parecido com o de um tiro colocasse os moradores em alerta.

Situações inusitadas até mesmo para quem já sabe que Curiúva não é mais a mesma cidadezinha pacata de anos atrás, já que pessoas foram tomadas como reféns quando simplesmente viajavam pela estrada, alguns a trabalho e outros a passeio, e até mesmo trabalhando tranquilamente no corte de madeira. Informações desconexas chegavam a toda hora pelas redes sociais e pelo famoso boca-a-boca, informações essas que hora tranquilizavam, hora amedrontavam ainda mais.

Tudo isso chegou ao fim nesta quinta-feira, graças à Operação Cangaço das polícias militar e civil do Estado. Mesmo com os principais meios de comunicação do Paraná e até do Brasil informando sobre a operação, as notícias não deixavam claro se os bandidos que assaltaram o banco de Curiúva especificamente haviam sido presos. Segundo informou a RPC, a ocorrência aqui em nossa cidade até surpreendeu as forças de segurança, que já monitoravam a movimentação da quadrilha.

A cidade espera retomar sua rotina normal, mas pelo menos na utilização dos serviços bancários a situação deve continuar difícil: a agência do Itaú (que já estava ficava superlotada devido estar atendendo aos clientes da agência de Sapopema, que foi explodida no ano passado e nem deve abrir mais) deve levar algum tempo para reabrir até que os estragos sejam consertados, enquanto que a do Banco do Brasil ainda está em reforma em virtude da explosão ocorrida ainda em junho de 2015, mesma data em o Bradesco também foi explodido, mas que logo reabriu. A única agência ainda livre de qualquer ação na cidade é do Sicredi. E, com a prisão da quadrilha, a população espera que continue intacta.

Relembre o caso

O assalto em si começou por volta de 16:20h de segunda. Mas antes disso a quadrilha já havia preparando tudo na rodovia Pr-160, sentido Telêmaco Borba, rendendo um caminhoneiro e obrigando-o a bloquear a ponte sobre o Rio das Antas. Isso impediria que a polícia de Curiúva chamasse reforço da cidade vizinha, que é sede da companhia. Em seguida, alguns veículos foram interceptados: uma kombi de trabalhadores rurais, uma caminhonete e mais um veículo de passeio. A quadrilha fez alguns passageiros de reféns, e tomou a caminhonete para utilizar no assalto.

Chegando ao Banco, que já estava fechado, mas ainda com os funcionários no interior, a quadrilha, fortemente armada, arrombou a porta e os caixas eletrônicos. Tiros foram dados para o alto e nas câmeras de segurança, atingindo prédios vizinhos. Foi formada uma corrente humana com os reféns, que ficaram de mãos dadas na rua. A Polícia Militar foi acionada, e tentou surpreender os assaltantes entrando pelos fundos da Escola José de Alencar, que fica em frente ao banco. Houve troca de tiros. A quadrilha então colocou um refém no capô da caminhonete (um trabalhador rural que estava na kombi) e mais alguns na caçamba, dentre eles funcionários da agência, e subiu a avenida Antônio Cunha, sentido Telêmaco Borba. A cena, típica de filmes, foi filmada por populares. A maioria do comércio, a esta altura, já estava fechada.

A quadrilha tomou o rumo de Telêmaco Borba, liberou os reféns próximo à guarita da Arauco, e virou a esquerda por uma estrada de terra. Conhecendo o percurso da estrada, a Polícia efetuou o cerco próximo ao CTG. Ao avistarem os policiais, eles deram marcha a ré e acabaram colidindo com uma carreta. Houve então troca de tiros, e o motorista da carreta acabou ferido com os estilhaços de vidro do parabrisa. Dois meliantes foram alvejados, colocados na caminhonete e conseguiram fugir. Durante a fuga, eles tomaram como refém um operador de máquina que cortava madeira a serviço da Arauco, para que o mesmo os ajudasse a sair do reflorestamento. Após quase 24 horas dentro da mata, o refém foi solto próximo à PR-160. A quadrilha havia tomado de assalto um veículo de propriedade da Klabin, dentro do reflorestamento, e depois mais um veículo na rodovia. A polícia bloqueou o trevo de entrada de Harmonia, mas o grupo tomou o sentido da Usina Mauá. A partir daí, não foram mais divulgadas informações da ação, que passou a contar com o reforço de diversas forças de segurança do Estado, terminando com 22 prisões e uma morte, mas ainda com indivíduos foragidos.

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